Por que, às vezes, anos de terapia não bastam – e o que o Neurofeedback pode acrescentar
- Henrique Dias Psi
- 9 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
A psicoterapia tradicional é uma das ferramentas mais importantes para compreensão, crescimento e mudança emocional. Ela ajuda a dar sentido à história de vida, reorganizar crenças, melhorar relacionamentos e construir novos recursos internos.
Mesmo assim, muitas pessoas relatam algo em comum: anos de terapia, muito autoconhecimento… e sintomas que ainda insistem em permanecer.
Em muitos casos, isso acontece porque uma parte importante do problema está ancorada em padrões fisiológicos – no cérebro e no sistema nervoso – que não mudam com a mesma velocidade quando trabalhamos apenas pelo caminho verbal e cognitivo.
Quando conversar ajuda, mas não resolve tudo
Grande parte das abordagens psicoterapêuticas atua principalmente por meio da linguagem, da reflexão e da narrativa. Isso é essencial para ressignificar experiências, entender gatilhos, fortalecer a identidade e desenvolver novas estratégias de enfrentamento.
Mas, em situações de estresse crônico, trauma, TDAH ou ansiedade intensa, o sistema nervoso pode ficar “travado” em estados de hiperalerta, exaustão ou oscilação constante. Nesses casos, a pessoa pode até saber racionalmente que “está segura”, mas o corpo continua reagindo como se estivesse em perigo afetando diretamente a capacidade de regular emoções, atenção e resposta ao estresse.
Essa dimensão fisiológica muitas vezes necessita de intervenções mais diretas sobre a atividade cerebral e autonômica para que de fato a mudança aconteça.

O Neurofeedback e sua abordagem complementar
Tanto os padrões disfuncionais quanto os mais saudáveis se baseiam na neuroplasticidade – a capacidade do cérebro de se modificar com a experiência.
O Neurofeedback aproveita essa mesma capacidade para reforçar, de forma sistemática, padrões considerados mais adaptativos.
Em pesquisas com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e outros quadros relacionados à trauma, estudos sugerem que o treinamento pode ajudar a reduzir a reatividade a estímulos traumáticos e favorecer maior engajamento de áreas de regulação emocional, embora essa linha de pesquisa ainda esteja em expansão e com amostras relativamente pequenas.
Isso indica que o Neurofeedback pode favorecer mudanças fisiológicas que, em algumas pessoas, demorariam muito mais tempo para ocorrer apenas via intervenção verbal.
Ao trabalhar mais diretamente com os circuitos cerebrais e com a autorregulação do sistema nervoso, essa tecnologia pode criar um terreno fisiológico mais estável, no qual o trabalho terapêutico tradicional ganha profundidade e, em alguns casos, pode avançar em um ritmo que levaria muito mais tempo utilizando apenas a via verbal.
Quando faz sentido considerar o Neurofeedback:
- Os sintomas permanecem muito resistentes;
- Há sinais claros de desregulação autonômica crônica (sempre em alerta, dificuldade de relaxar, sono muito comprometido);
- Há diagnóstico de TDAH, TEPT ou quadros para os quais já existem protocolos com melhor respaldo;
- Medicamentos causam efeitos colaterais importantes ou oferecem benefício parcial;
- A pessoa busca um recurso adicional, dentro de um plano de cuidado integrado e acompanhado por profissionais qualificados.
Na prática clínica, muitos profissionais relatam melhores resultados quando o Neurofeedback é integrado a psicoterapia, educação em saúde mental, intervenções comportamentais e, quando indicado, acompanhamento psiquiátrico. Em vez de competir, as abordagens se somam.
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