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Quando nossas emoções viram uma identidade

  • Foto do escritor: Henrique Dias Psi
    Henrique Dias Psi
  • 3 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Quantas vezes você já ouviu ou disse: "Eu sou ansioso", "Eu sou explosivo", "Eu sou inseguro"?


Acontece que esses "jeitos de ser" podem não ser quem você realmente é. Muitas vezes são padrões cerebrais repetidos por tanto tempo que se tornaram sua identidade.


Quando vivenciamos um estado emocional repetidamente, seja por circunstâncias de vida, trauma ou estresse crônico, nosso cérebro começa a se remodelar para tornar esse estado mais eficiente e automático.


Para entendermos melhor esse conceito é preciso abandonar a antiga crença de que o cérebro adulto é fixo e imutável, hoje sabemos que através da neuroplasticidade, ele permanece plástico ao longo da vida, respondendo e se adaptando às nossas experiências.


O que a neurociência revela:


Pesquisas sobre neuroplasticidade demonstram que circuitos neurais que são frequentemente usados ou estimulados crescem mais fortes e eficientes, seguindo o princípio de que "neurônios que disparam juntos, conectam-se juntos", regra de Hebb (Hebbian plasticity).


É por isso que quando você vive constantemente em um estado emocional de ansiedade, raiva ou medo, seu cérebro muda de estrutura para sustentar esses estados.


Um estudo publicado no MIT demonstrou que quando uma conexão sináptica se fortalece através de estimulação repetida, sinapses vizinhas enfraquecem para manter o equilíbrio, mostrando como padrões emocionais específicos podem dominar circuitos neurais. Quanto mais você repete um padrão emocional, mais forte esse circuito se torna.



Como isso acontece?


Seu sistema nervoso autônomo tem duas divisões principais:


Sistema Simpático: ativa a resposta de "luta ou fuga", aumentando batimentos cardíacos, tensão muscular e estado de alerta


Sistema Parassimpático: promove o "descansar e digerir", favorecendo calma, digestão e recuperação


Quando você passa anos predominantemente ativado no modo simpático (por estresse crônico, trauma ou ambiente adverso), seu cérebro e corpo se adaptam a esse estado. Ele se torna seu "normal", sua identidade.


O sistema nervoso parassimpático se esforça para retornar ao estado inicial, ao estado que foi modificado pelo sistema simpático.


Surge então a narrativa do estado sentido que se torna a sua identidade. Você não pensa "estou ansioso neste momento". Você pensa "EU SOU ansioso". O estado gera pensamentos que o reforçam criando então um ciclo autossustentável.



E existe saída?


Sim. A mesma neuroplasticidade que criou esses padrões pode desfazê-los. Mas há uma consideração importante: conversar sobre o hemisfério esquerdo (narrativas, análises) tem pouca relevância quando o hemisfério direito (emoções, sensações corporais) está em erupção.


“É como colocar um cavalo selvagem sobre o outro e tentar domesticar os dois ao mesmo tempo” Sebern F. Fisher.


Não basta trabalhar com a narrativa enquanto o cérebro permanece preso em um padrão fisiológico. E é aqui que entra o treinamento cerebral, como o neurofeedback, que atua na raiz do problema.


No próximo artigo, exploraremos como o neurofeedback oferece uma abordagem complementar à psicoterapia tradicional, trabalhando diretamente com os circuitos cerebrais para acelerar a mudança que pode levar anos por outros caminhos.


Fontes: Kleim & Jones (2008), Principles of experience-dependent neural plasticity; El-Boustani et al. (2018), MIT Study on synaptic plasticity


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